# Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa

> A investigação do Cenipa sobre a queda do ATR-72 da Voepass em Vinhedo, que matou 62 pessoas, constatou que pilotos não registravam falhas em voos anteriores, como problemas no sistema de degelo e alertas ignorados. A cultura organizacional de normalizar desvios foi apontada como fator central no acidente.

*Pingobox · Gadgets e Dispositivos · 24 de julho de 2026 · Bruno Tagliari*

Investigação do Cenipa revela que pilotos da Voepass não registravam falhas em voos anteriores, incluindo problemas no sistema de degelo e alertas ignorados. A cultura organizacional de normalizar desvios foi apontada como fator central na queda do ATR-72 em Vinhedo, que matou 62

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (23) o relatório final sobre a queda do voo PS-VPB, da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024. A investigação aponta que pilotos da empresa não relatavam falhas nas aeronaves, criando uma cultura organizacional que normalizava desvios de segurança.

Pilotos da Voepass não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa, que identificou 19 fatores contribuintes para o acidente. Entre eles, falhas no sistema de degelo, alertas ignorados, revisões mecânicas insuficientes e a ausência de registros de problemas em voos anteriores.

## O que o Cenipa descobriu sobre os voos anteriores

O Cenipa analisou os últimos voos da aeronave PS-VPB com tripulações diferentes. Em todos eles, realizados entre cidades do estado de São Paulo, houve detecção de gelo e falha no sistema que retira esse gelo das partes do avião. Porém, não houve relato dessas falhas no registro de bordo.

"Três tripulações diferentes realizando normalização de desvio [de procedimento]. Fizemos uma análise mais ampla e notamos que outras tripulações também faziam isso, o que demonstra uma cultura organizacional", afirmou o Investigador-Encarregado do Cenipa, Tenente-Coronel Fróes.

## Cultura de normalização de desvios

A investigação mostrou que pilotos e copilotos, inclusive aqueles envolvidos no acidente, recebiam alertas do sistema e desligavam os alertas, percebiam falhas nos sistemas de correção, mas não reportavam essas falhas. Mecânicos entrevistados afirmaram que havia troca de componentes em falha entre aeronaves, pegavam componentes defeituosos de uma, instalavam em outra e liberavam para voo.

"O que podemos afirmar é que essa ocorrência foi um acidente com peso elevadíssimo da parte da cultura organizacional. Foram 19 fatores contribuintes, mas a cultura organizacional foi muito presente", disse o Brigadeiro do Ar Avellar, chefe do Cenipa.

## O voo fatal: falhas e alertas ignorados

Durante o voo de Cascavel para Guarulhos, o sistema da aeronave alertou para o acúmulo de gelo várias vezes. O sistema também avisou, por oito vezes, que a velocidade da aeronave estava caindo em virtude do peso do gelo na fuselagem. O sistema de degelo foi acionado, mas apresentou falha e foi desligado pelos pilotos. Não houve mudança no plano de voo.

O procedimento correto, de acordo com o Cenipa, é reiniciar o sistema. Caso haja uma segunda falha, o sistema deve ser desligado e a aeronave levada a voar em níveis mais baixos, onde as temperaturas são menos extremas. Esse procedimento não foi adotado.

Além das falhas no sistema, a aeronave não poderia ter voado naquele momento por um problema nos limpadores de para-brisa. Essa pane limitava a aeronave a voar apenas quando não estivesse chovendo e não houvesse previsão de chuva por uma hora antes da decolagem e uma hora após o pouso.

## O que aconteceu nos minutos finais

Depois de pouco mais de uma hora de voo, o copiloto avisou o piloto que havia esquecido de ligar o sistema de degelo, mesmo depois dos alertas. Minutos antes da queda, o copiloto comentou que havia "bastante gelo" na aeronave. Próximo do destino, quando o sistema passou a emitir vários alertas, excesso de gelo e queda na velocidade, os pilotos passaram a lidar com múltiplas questões ao mesmo tempo: procedimento de descida, problemas com gelo e conversas com a torre sobre autorização para pouso.

"O cérebro não consegue gerenciar aquelas informações em excesso. Isso pode ter comprometido a reação deles aos alertas", disse Fróes.

## Análise de 15 mil voos

O Cenipa analisou 15 mil voos da Voepass para entender possíveis padrões. Desses, 1.674 voos tiveram algum tipo de alerta de degradação de performance. Um desses voos teve perda de controle em algum momento, episódio que o Cenipa nunca foi informado, algo que deveria ter ocorrido.

## Perguntas Frequentes

### Quantos fatores contribuintes o Cenipa identificou?

Foram 19 fatores contribuintes, com destaque para a cultura organizacional.

### O que aconteceu com o sistema de degelo durante o voo?

O sistema foi acionado, apresentou falha e foi desligado pelos pilotos. O procedimento correto de reinicialização não foi seguido.

### Quantos voos da Voepass o Cenipa analisou?

Foram analisados 15 mil voos, dos quais 1.674 tiveram alertas de degradação de performance.

### A aeronave poderia ter voado naquele dia?

Não, devido a um problema nos limpadores de para-brisa que impedia o voo em condições de chuva.

### O que os pilotos falaram antes da queda?

O copiloto mencionou que havia esquecido de ligar o sistema de degelo e, minutos antes, comentou que havia "bastante gelo" na aeronave.

investigação de acidentes aéreos no Brasil segurança em voos regionais cultura organizacional na aviação

---

Fonte (canonical): https://www.pingobox.com.br/gadgets-e-dispositivos/pilotos-voepass-nao-relatavam-falhas-aeronaves-diz-cenipa/
