Relatório aponta ação policial como responsável pela violência armada no Brasil
Relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado aponta que ações policiais consolidaram-se como motor da violência armada no Brasil. Dados de janeiro a junho de 2026 mostram recorde de participação policial em tiroteios, com 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram. Entenda
Relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado aponta que ações policiais consolidaram-se como motor da violência armada no Brasil. Dados de janeiro a junho de 2026 mostram recorde de participação policial em tiroteios, com 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram. Entenda
Relatório aponta ação policial como responsável pela violência armada
O relatório semestral do Instituto Fogo Cruzado, lançado em 29 de julho de 2026, indica que ações e operações policiais consolidaram-se como um dos motores da violência armada no Brasil. Os dados, levantados entre janeiro e junho de 2026 nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, mostram que a participação policial em tiroteios atingiu recorde.
Foram 2.511 tiroteios no período, com 2.403 pessoas baleadas, 1.628 mortas e 775 feridas. As ações policiais foram responsáveis por 39% dos registros, deixando 584 mortos e 317 feridos em 989 tiroteios. Em 2025, no mesmo período, a participação policial era de 33%. Apesar da queda geral nos tiroteios, a presença policial nos conflitos cresceu.
Como a ação policial afeta a violência armada nas regiões metropolitanas
Rio de Janeiro: quase metade dos tiroteios tem participação policial
Na região metropolitana do Rio, 976 tiroteios foram mapeados. As forças policiais participaram de 47% dos casos, o maior patamar para o período desde 2017. Embora o número de tiroteios siga em queda, a ação policial corresponde a quase metade dos registros.
Recife: menor índice de tiroteios desde 2019, mas recorde policial
Com 645 tiroteios, a região metropolitana do Recife registrou o menor índice desde 2019. Contudo, o primeiro semestre de 2026 acumula o maior número de tiroteios em ações e operações policiais da série histórica: 60 registros, ou 9% do total.
Salvador: queda nos tiroteios, mas ações policiais concentram 53% dos baleados
Salvador e regiões metropolitanas chegaram ao menor índice de tiroteios em primeiros semestres, com 656 registros. Dos 637 baleados, 53% foram em contexto de ações policiais. Dos 34 agentes de segurança baleados, 24 estavam em serviço (71%).
Belém: 45% dos tiroteios com participação policial
Na região metropolitana de Belém, 234 tiroteios foram mapeados, uma queda de 20% em relação a 2025. A violência segue marcada por ações policiais, presentes em 45% dos registros.
Disputas entre grupos armados crescem 12%
O número de baleados em disputas entre grupos armados, como facções e milícias, cresceu 12% no semestre, de 181 vítimas em 2025 para 203 em 2026. Assaltos que terminam com baleados também se tornaram mais frequentes: 53 pessoas foram atingidas, recorde em relação aos primeiros semestres dos quatro anos anteriores.
O que diz o Instituto Fogo Cruzado
A gerente de Pesquisa do Instituto, Terine Husek Coelho, afirma que há três décadas o Estado repete a mesma fórmula de segurança pública, incapaz de desarticular grupos armados e que não garante segurança à população. "Não é razoável esperar resultados distintos insistindo em uma estratégia cuja ineficácia já é conhecida", avalia.
Impacto na população civil: escolas e unidades de saúde comprometidas
O relatório aponta que a lógica atual alimenta o alto número de tiroteios, expõe moradores ao fogo cruzado e compromete o funcionamento de escolas e unidades de saúde, sem conter o avanço dos grupos armados. Isso afeta diretamente quem vive nas regiões metropolitanas mapeadas.
Perguntas Frequentes
O que diz o relatório do Instituto Fogo Cruzado sobre ações policiais?
O relatório aponta que ações policiais são responsáveis por 39% dos tiroteios nas regiões metropolitanas do Rio, Recife, Belém e Salvador.
Quantas pessoas foram baleadas no primeiro semestre de 2026?
Foram 2.403 pessoas baleadas, das quais 1.628 morreram e 775 ficaram feridas.
A participação policial em tiroteios aumentou?
Sim, subiu de 33% em 2025 para 39% em 2026, apesar da queda geral no número de tiroteios.
Onde o Instituto Fogo Cruzado atua?
Nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Recife, Belém e Salvador, abrangendo 57 municípios.
O que mais cresceu na violência armada?
Disputas entre grupos armados cresceram 12%, e assaltos com baleados atingiram recorde, com 53 vítimas.
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