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Meteorologistas: ventanias em RJ e SP não podem ser associadas ao El Niño

ResumoMeteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que as ventanias com rajadas de até 105 km/h registradas em Rio de Janeiro e São Paulo na quarta-feira (30) não podem ser associadas ao fenômeno El Niño. A declaração desvincula o evento climático específico do padrão global de aquecimento das águas do Pacífico.

Fortes ventos atingiram Rio de Janeiro e São Paulo na quarta-feira (30), com rajadas de até 105 km/h. Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que não é possível associar o evento ao El Niño.

Gustavo Sequeira Gustavo Sequeira · Repórter de inovação
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Meteorologistas: ventanias em RJ e SP não podem ser associadas ao El Niño
Foto: Imagem ilustrativa · Pingobox

Fortes ventos atingiram Rio de Janeiro e São Paulo na quarta-feira (30), com rajadas de até 105 km/h. Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que não é possível associar o evento ao El Niño.

Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

Fortes ventos provocaram estragos e mortes nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo na tarde desta quarta-feira (30). Uma estação meteorológica da capital fluminense chegou a registrar ventos de 105 km/h. Meteorologistas consultados afirmam que não é possível, ainda, associar o evento ao El Niño.

O que causou as ventanias em RJ e SP?

Segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o evento foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão atmosférica na região, associada ao deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, chamado de "escoamento".

"A conjunção desses fatores auxiliou realmente na formação dessa instabilidade, que trouxe essas rajadas bem intensas. Inclusive, tivemos rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados", explicou a meteorologista.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), Marcelo Seluchi, destaca que as rajadas de vento se formaram a partir de uma linha de estabilidade.

"É uma linha de tempestades alinhadas, como o nome indica, uma ao lado da outra, que se formaram sobre uma frente fria que estava na Região Sul do Brasil. Essa linha de tempestades formou o que se chama uma frente de rajada, que foi a ventania que nós sentimos ontem à tarde", esclareceu.

Ventania e El Niño: por que não há relação direta?

Tanto Suellen Araujo (Inmet) quanto Marcelo Seluchi (Cemaden) avaliam que não é possível, ainda, associar o evento de quarta-feira ao El Niño, um fenômeno recorrente que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico, de tempos em tempos, e que provoca alterações no clima global.

"Teria que fazer uma avaliação um pouco mais minuciosa para poder verificar se [os ventos fortes de Rio e São Paulo] tem alguma coisa relacionada a esse fenômeno", afirma Suellen Araujo.

Segundo Seluchi, é difícil estabelecer uma relação direta dos ventos fortes com o El Niño. Ele esclarece, entretanto, que a linha de tempestades que provocou a ventania se formou a partir de uma frente estacionária que estava sobre o sul do Brasil.

"A frequência com que essas frentes estacionárias estão atuando na Região Sul já tem a ver com o fenômeno do El Niño. As frentes estão se tornando estacionárias com mais frequência, está chovendo com mais frequência e mais volume na Região Sul. E a linha de instabilidade é um efeito secundário, digamos, da presença dessas frentes na região sul", disse.

Seluchi ressalta, no entanto, que a linha de instabilidade e as rajadas de vento são fenômenos que podem acontecer em qualquer época do ano.

"Acontece também em anos que não são do El Niño. A relação [das rajadas de vento] com o El Niño é mais difícil de estabelecer. Eu acho [que tem], mas é difícil provar que essa uma relação indireta".

O que diz a ciência sobre o Super El Niño?

Neste ano, espera-se um El Niño mais intenso. Segundo a Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (Noaa), há uma probabilidade grande de que nesta temporada o El Niño seja o mais forte dos últimos 76 anos.

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), entende que é preciso ter estudos mais profundos para encontrar uma possível vinculação entre a ventania e o El Niño.

"Não tem como afirmar e nem contrariar essa correlação, que precisa ser estudada para depois, mais a frente, para se relacionar com o Super El Niño", disse.

Perguntas Frequentes

As ventanias em RJ e SP foram causadas pelo El Niño?

Não. Meteorologistas do Inmet e Cemaden afirmam que não é possível associar diretamente o evento ao El Niño. As rajadas foram provocadas por uma zona de baixa pressão e uma linha de tempestades.

Qual foi a velocidade dos ventos registrados?

Uma estação meteorológica da capital fluminense registrou ventos de 105 km/h. Rajadas em torno de 100 km/h foram registradas em ambos os estados.

O que é uma frente de rajada?

Segundo Marcelo Seluchi (Cemaden), é uma linha de tempestades alinhadas que se forma sobre uma frente fria, avançando mais rápido que a linha de nuvens da tempestade.

O El Niño pode causar ventanias no futuro?

Especialistas afirmam que é preciso mais estudos para estabelecer uma relação. O El Niño pode influenciar a frequência de frentes estacionárias, mas a relação com rajadas de vento é indireta.

O que esperar do El Niño em 2026?

Segundo a Noaa, há probabilidade grande de que o El Niño seja o mais forte dos últimos 76 anos nesta temporada.

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Gustavo Sequeira

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