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Rede elétrica mais resiliente: investimento de concessionárias é chave

ResumoA rede elétrica brasileira pode se tornar mais resiliente a ventos fortes com investimentos em fiação subterrânea e poda de árvores. Especialistas apontam que o custo elevado dessas soluções precisa ser arcado pelas concessionárias de energia para evitar apagões como os ocorridos em São Paulo e Rio de Janeiro.

Tornar a rede elétrica mais resiliente a ventos fortes, como os que atingiram São Paulo e Rio, é possível, mas tem custo elevado que precisa ser arcado pelas concessionárias. Especialistas apontam fiação subterrânea e poda como soluções.

Gustavo Sequeira Gustavo Sequeira · Repórter de inovação
· · 4 min de leitura
Rede elétrica mais resiliente: investimento de concessionárias é chave
Foto: Imagem ilustrativa · Pingobox

Tornar a rede elétrica mais resiliente a ventos fortes, como os que atingiram São Paulo e Rio, é possível, mas tem custo elevado que precisa ser arcado pelas concessionárias. Especialistas apontam fiação subterrânea e poda como soluções.

Os ventos fortes que atingiram São Paulo e Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29) deixaram milhares de residências sem energia. Tornar a rede elétrica mais resiliente a esse tipo de evento é possível, mas exige investimento elevado das concessionárias, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil.

Tornar a rede elétrica mais resiliente a ventos fortes é possível com investimento das concessionárias em fiação subterrânea e poda de árvores na época certa. O custo dos cabos subterrâneos equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea, segundo especialistas. A responsabilidade pelos custos é das concessionárias.

Por que a rede elétrica atual é vulnerável a ventos fortes?

A rede aérea, sustentada por postes, é mais vulnerável a quedas de árvores e intempéries. O professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, avalia que quem recebe energia por linha aérea tem mais problemas. Ele mora no Grajaú, na Zona Norte do Rio, e continuava sem energia até a tarde desta quinta-feira (30).

Em sua rua, a rede elétrica é aérea. Já bairros mais nobres do Rio e o centro da cidade, com instalações subterrâneas, enfrentam menos contratempos, segundo Watanabe.

Qual o custo de uma rede elétrica subterrânea?

O custo de cabos subterrâneos equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea, com a vantagem de ter maior qualidade, estima o professor da Coppe/UFRJ. A responsabilidade por esses custos é das concessionárias de energia.

"Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco", aponta Watanabe.

Investimento em rede elétrica: quando vale a pena?

Na avaliação de Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, o risco de falta de energia, por si só, não é motivo para substituir toda a rede aérea por subterrânea. "É uma decisão estética, urbanística. Mas não pesa muito no caso de falta de luz", afirma.

Torres destaca que fazer uma estrutura subterrânea requer investimento elevado, que pode ser economicamente inviável. Além disso, cabos subterrâneos, apesar de proteção contra o vento, constituem problema em caso de inundações e furtos.

Como as concessionárias devem se preparar para eventos climáticos?

Segundo Leandro Torres, o que ocorreu no Rio foi um evento de emergência, para o qual as instituições precisam estar preparadas com planos de contingência. Esses planos devem evidenciar ameaças como vendaval, inundação e ataque cibernético.

"Ou seja, fazer uma listagem dessas ameaças. Isso abrange eventos de diferentes naturezas, como vendaval, inundação, ataque cibernético, que podem afetar a operação de uma organização qualquer", explica.

O segundo passo é entender as causas que poderiam dar origem a essas ameaças, os pontos fracos na operação. Uma análise de risco prioriza os pontos que demandam mais atenção. Em seguida, busca-se medidas para evitar ou reduzir a probabilidade de falhas.

Torres destaca que instituições de diferentes naturezas, de escolas a concessionárias de energia, precisam se organizar para eventos climáticos. Ele defende que as concessionárias devem direcionar atenção para um possível aumento de eventos climáticos, principalmente com a previsão de um El Niño especialmente forte.

"Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria? Se acontecer uma inundação até um metro ou dois metros de lâmina, o que deveria ser feito? E se for uma onda de calor extremo?", questiona.

Como a falta de energia afeta o consumidor?

A empresária Ana Paula Brito, moradora de Vila Isabel, Zona Norte do Rio, está sem luz desde quarta-feira (29) às 17h. Ela afirma que já abriu vários protocolos na Light e a resposta é que os técnicos estão trabalhando, sem previsão de retorno.

"Estamos preocupados, porque a geladeira já está descongelando, os alimentos estão vencendo [a validade] e não tem nenhuma previsão. É um transtorno muito grande ficar sem energia", relata.

Rico Vilarouca, designer que mora em Santa Teresa, na região central do Rio, trabalha em casa com a esposa. Ele espera até agora o retorno da energia elétrica e da internet residencial, situação que se repete quando chove forte e venta no bairro. Para ele, os ventos fortes deixaram claro: "A gente não está preparado para esse volume de vento na cidade".

A Light e a Enel, concessionárias que atuam no Rio de Janeiro, na região metropolitana e no interior, têm divulgado que estão com equipes mobilizadas para normalizar o fornecimento. Milhares de residências e estabelecimentos continuavam sem energia nesta quinta-feira.

Perguntas Frequentes

Quem é responsável por investir na rede elétrica?

A responsabilidade pelos custos de tornar a rede mais resiliente é das concessionárias de energia, segundo o professor Edson Watanabe.

Qual a diferença de custo entre rede aérea e subterrânea?

O custo de cabos subterrâneos equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea, com vantagem de maior qualidade, segundo especialistas.

Rede subterrânea resolve todos os problemas de falta de luz?

Não. Cabos subterrâneos são vulneráveis a inundações e furtos, e o investimento pode ser economicamente inviável, avalia o professor Leandro Torres.

Como pedir ressarcimento por prejuízos com falta de energia?

A Agência Brasil publicou orientações sobre como solicitar ressarcimento às concessionárias pelos danos causados pela interrupção do fornecimento.

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Gustavo Sequeira

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